sexta-feira, 4 de abril de 2008

Limites

Todos temos fronteiras delineadas por nós.
Encontramo-las nos momentos mais inesperados e tomamo-las em consideração porque há mais do que um muro ou uma vedação de arame farpado a parar-nos.
Há uma força interior que é como uma paralisia do espírito. Impede-nos de agir para lá desse limite.
Temos limites que desconhcemos até ao dia em que os queremos cruzar. outros já os entendemos, mas, por vezes, surge-nos a tentação de os ultrapassar por algum motivo incompreensível. E, finalmente, há aqueles limites que é preciso, por ditames de fados superiores, tentar vencer. Normalmente, estes últimos, não são de ordem moral ou física ou psicológica, nem são posições de princípio ou pecados que nos auto-incutimos, são antes os limites espirituais.
Se o espírito pudesse ser imaginado como um copo de formas extraordinárias, poderíamos vê-lo encher-se de líquidos de cores preciosas, como um arco-íris, preenchido em cantos e recantos com tonalidades diferents e correspondentes às nossas mágoas e aos nossos prazeres. Mas tudo na ordem do tolerável.
Agora imaginem esse copo ter no seu diâmetro final um resvalo, ou uma abertura. Aí temos o nosso limite espiritual. Dali transborda tudo. Por isso é tão doloroso ter um limite espiritual a ser tansposto. É que não é só a fronteira que nos é proíbida que é vertida, os outros líquidos são puxados pela corrente do que tentamos encaixar falsamente em nós. E nessa corrente estão, então, os nossos prazares e mágoas, numa amálgama agitada a sair borda fora do copo que é o nosso espírito.
Contudo, temos sinais de aviso antes de entrar neste desalmado sentimento, há que respeitá-los, ainda que a cosnciência, sempre de mão dada com a racionalidade, nos diga que não fazem sentido. São sinais que nos fazem hesitar entre uma maravilha, chorar com um toque, gritar com um sorriso; querer ter e não poder como num poema de Camões ou Pessoa.
Sentem-se num aperto do peito e num nó do estomâgo e na dor de cabeça de lágrimas apertadas no olhar. Sentem-se no abraço que não conseguimos apertar para segurar uma acção, gesto ou pessoa, porque agarrá-los seria cruzar o limite que transbordaria o copo e jorraria a cascata de emoções de um espírito ferido pelo desrespeito demonstrado às suas limitações fadadas no seio da personalidade individual e intocável.

2 comentários:

perec disse...

Mario Benedetti escribió, con todo sentido,:
"No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo

pero si
pese a todo
no puedes evitarlo
y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino

y te salvas
entonces
no te quedes conmigo.

Anónimo disse...

Mario Benedetti escribió bien. Pero eres tu quién lo siente bién.
Sera possible retenerse en las manos un rayo de luce???
Un beso con todo mi afecto.