Na China é fácil pensarmos em finais de tarde gloriosos, com um sol a desaparecer no horizonte que nos enaltece, mas o 'skyline' de Pequim não nos deixa ter essa visão. Mas sentimo-la. Da mesma forma que se sente uma despedida que nunca é definitiva. Quando saímos do escritório e dizemos 'até amanhã' ou 'adeus' sabemos que voltamos. O sol sabe sempre que volta. São os pores-de-sol que são únicos. Têm uma vida própria, apesar de serem sempre um final. Um final de dia.
Final e tristeza costumam andar de mãos dadas, mas um final é passível de ser também uma libertação. Uma promessa de uma magnífica noite, mesmo que sem estrelas como as do céu de Pequim. Uma promessa de um amanhecer esplendoroso, ainda que de Pequim só se veja o 'fog'. Uma promessa de um dia de nuvens a recortarem um tecto turquesa, apesar de Pequim ser feito de nuvens cinzentas.
Um final é sempre uma renovação. E o que vem a seguir não é pior nem melhor. É o que se segue.
É este o abandono em que se vive a nossa sobrevivência diária. Navegação sem rumo ou compasso ou GPS. Pois os astrolábios do destino continuam por inventar.
O que podemos controlar não é o fim do dia, ou o dia, ou o amanhecer, ou a noite. Controlamos a nossa visão de cada um destes momentos, sabendo que não seguramos nenhum deles e escutando o provérbio chinês que informa "que para saber se um pássaro é nosso, há que lhe deixar a gaiola aberta, se voltar..."
Prender um momento é guardar uma memória, uma imagem, uma lembrança, um som ou um sabor. Cabe dentro de nós ou num objecto que nos aviva esse momento. Não cabe na realidade. porque em nós não há realidade, só há o que desejamos que não seja sonho nem passado, mas o que o nosso espírito enforma, de um modo irreal porque não é palpável...
Somos feitos de todos esses momentos que sorrimos e que chorámos, não somos matéria. Somos passado. Como todos os pores-de-sol o são.
Se os queremos segurar, como os postais que guardam esses fins de dia, temos de os consolidar em nós, não no que nos é externo. E 'nós' não é mais do que um lugar dentro do espírito. Surreal antes de irreal, porque é ali que nos guardamos, que fazemos o que é a nossa vida, mas também é ali que moam os nossos limites, os que não controlamos, não aqueles que socialmente nos impõem e que a nossa rebeldia pode mudar a qualquer momento.
Só é lamentável que muita gente não conheça os seus limites, ou, como eu, os queiram modificar. E difícil é depois assumir, perante si primeiro, e perante os outros, o que se passou.
Um final é sempre uma renovação. E o que vem a seguir não é pior nem melhor. É o que se segue.
É este o abandono em que se vive a nossa sobrevivência diária. Navegação sem rumo ou compasso ou GPS. Pois os astrolábios do destino continuam por inventar.
O que podemos controlar não é o fim do dia, ou o dia, ou o amanhecer, ou a noite. Controlamos a nossa visão de cada um destes momentos, sabendo que não seguramos nenhum deles e escutando o provérbio chinês que informa "que para saber se um pássaro é nosso, há que lhe deixar a gaiola aberta, se voltar..."
Prender um momento é guardar uma memória, uma imagem, uma lembrança, um som ou um sabor. Cabe dentro de nós ou num objecto que nos aviva esse momento. Não cabe na realidade. porque em nós não há realidade, só há o que desejamos que não seja sonho nem passado, mas o que o nosso espírito enforma, de um modo irreal porque não é palpável...
Somos feitos de todos esses momentos que sorrimos e que chorámos, não somos matéria. Somos passado. Como todos os pores-de-sol o são.
Se os queremos segurar, como os postais que guardam esses fins de dia, temos de os consolidar em nós, não no que nos é externo. E 'nós' não é mais do que um lugar dentro do espírito. Surreal antes de irreal, porque é ali que nos guardamos, que fazemos o que é a nossa vida, mas também é ali que moam os nossos limites, os que não controlamos, não aqueles que socialmente nos impõem e que a nossa rebeldia pode mudar a qualquer momento.
Só é lamentável que muita gente não conheça os seus limites, ou, como eu, os queiram modificar. E difícil é depois assumir, perante si primeiro, e perante os outros, o que se passou.

O passado é o conjunto de tudo isto, acumulado e arquivado nos nossos meandros, tornando-se, a pouco e pouco e dia a dia, naquilo que somos, enformando-nos. Sendo seu melhor exemplo a monarquia, onde uma figura, humana, tem esta acumulação simbolizada na sua existência, mas não em sua função pessoal, mas antes de uma nação. O rei é o espírito de uma nação. Nós somos súbditos do nosso espírito, dos seus limites, conformando-nos ou não com isso, vivendo sabendo-nos escravos desses limites e gozando a liberdade de os conhecermos, semelhante ao livre e protegidos que nos sentimos nas fronteiras dos nossos países. é neste espírito, onde guardamos as nossas memórias, que um dia alguém nos poderá reconhecer puramente, de verdade, não numa fotografia.

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