Quando nos conhecemos, uns aos outros, não nos conhecemos.
Somos apresentados e achamos - ou não - uma empatia com a criatura que está à nossa frente.
Essa ligação é que faz a ponte para o futuro da relação. Se será de amizade, de grande amizade, de carinho, de paixão ou de amor. E, como o 'Banquete' de Platão retrata muito bem, há vários tipos de amor...
No entanto, é a obra de arte, a ponte, que me desperta curiosidade neste momento.
A atracção é o pilar para que a ponte vá para lá da amizade. E muitas vezes a atracção surge antes da tal apresentação das pessoas. Este é um cenário de grande risco. Porque formamos uma empatia sem dados. Será a a química? as feromonas? a lua cheia? O que é que nos faz olhar para uma pessoa e destacá-la de entre todas as outras, como candidata a um lugar na nossa vida? Um lugar em aberto, mas sempre para lá da amizade...
Não há resposta eu sei. Saboreei isso mais do que uma vez e repeti agora.
Quando chega o momento das duas criaturas serem apresentadas, a primeira conversa pode correr bem ou mal, porque havendo a atracção, o caminho para a ponte é indiferente. Pode ir aos zigue-zagues ou não, que vai dar ao mesmo lugar, e vamos desculpar qualquer falta que haja nessa estrada. Porque o destino é mais importante.
Mais cedo ou mais tarde, o caminho chega à ponte. O primeiro beijo, as conversas até ali não foram nada. É naquele encontro que se descobre verdadeiramente que ponte temos pela frente.
Eu gosto de pontes medievais, são menos frias esteticamente do que as romanas, mas mantêm o peso da pedra e a força e resistência que esta transmite. Ao encontrar pela frente uma ponte destas, sinto-me segura para avançar.
E o processo de encontro de duas criaturas, passada a ponte, é duro, é todo-o-terreno para profissionais.
Os primeiros contactos são quase perfeitos, depois inicia-se a domesticação. Por um lado, haver a domesticação é excelente, quer dizer que ambos estão com vontade de seguir o mesmo caminho. O meio de transporte é que nem sempre é consensual e é para isso que um começa a querer domesticar o outro, ou então os dois tentam fazê-lo! Nesta última opção, o mais certo é não haver nem caminho nem trilho, vai-se a corta-mato e normalmente perdem-se... um do outro.
Eu não sou domesticável.
(TO BE CONTINUED)
