Morri. Depois de muita sobrevivência e de ânsia de viver insatisfeita, acabou. A minha vida já não é minha. É isso que é morrer.
A minha vida está entregue ao meu filho. Não é muito mau, mas é mau. Tem a minha vida nos seus despertares, olhares, gunfos, choros, risos. E em todas as necessidades que tenho de satisfazer e que me privam de ter necessidades que não sejam as deles. A dependência dele é a minha dependência.
Depende de mim, eu dependo dele para gerir a minha vida. Contudo, não consigo viver. Nem sobreviver. Sou só a fonte que o satisfaz. E isso é, agora, ser tudo. Por isso digo que não é muito mau.
Mas lamento ter-me perdido. Lamento que seja a última viagem e que não tenha regresso. Lamento não ter resistido e a só conseguir fazer feliz sem o ser. Só não lamento que ele tenha nascido. Porque não podia ter melhor dono para a minha vida, aquela que perdi e da qual me despeço com saudade.
quarta-feira, 23 de março de 2011
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