Prefiro sentir-me uma ilha do que estar numa. A falta de terra por onde caminhar, de onde partir, por onde andar, é pior do que viajar sem companhia.
A companhia, seja na vida ou numa viagem (quando a minha vida é toda uma viagem), é sempre fazer de mim uma ilha povoada.
Ganho limitações e conversas.
Ganho cuidados e partilha de momentos.
Ganho preocupações e risos.
Ganho decisões conjuntas e desilusões a dois (ou três ou quatro...).
As contrariedades impõe-se às compensações, tornando-me cada vez mais ilha.
Isolada dos outros, caminhando no meio deles, mas sem ter de me prender às tais contrariedades, ainda que houvesse momentos onde conversar saberia bem, rir seria agradável, compartilhar aumetaria o desfrutar, criticar em voz alta melhoraria a catarse... Mas isso são só momentos, e passo bem sem eles se for isso que preciso para não ter de pensar se já há alguém a fazer quilómetros a mais por minha causa, se está cansada ou com fome, se consegue escalar a mesma montanha, se prefere algo que eu não prefiro...
Não me quero cingir a mais do que o meu desejo de isolamento dentro do mundo que quero percorrer.
Os limites de não viajar em single são nefastos para a minha personalidade, entristecem-me muito mais do que ter companhia na minha viagem.


