sábado, 9 de outubro de 2010

Espero o meu sol

A lua espreita pela penunbra, iluminando as sombras.
Sou eu.
Vigio o manto de breu com que agasalhei a minha vida, encobrindo-me para o mundo, enquanto o descubro, entre o dia e a noite.
Nesse luar pálido, revê-se a angústia plácida de quem espera. Por nada. Por ninguém.
Não há merecedores.
Só há dores, sobrepostas em camadas, como uma baclava sem doce.
O tempo é quem dita a solidão daquela lua, que busca o lugar do sol da meia-noite para ter um companheiro de desdita. Porque também o sol, neste meu mundo, está só.
Chora no Inverno entre a chuva, enraivece-se no Verão através do luar.
Presa pelo sei ciclo de aparece e desaparece na vida de quem ama ou pensa amar. Não pode contrariar esse ciclo, já tentou. E não pode morrer que as marés dependem dela...

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