A lua espreita pela penunbra, iluminando as sombras.
Sou eu.
Vigio o manto de breu com que agasalhei a minha vida, encobrindo-me para o mundo, enquanto o descubro, entre o dia e a noite.
Nesse luar pálido, revê-se a angústia plácida de quem espera. Por nada. Por ninguém.
Não há merecedores.
Só há dores, sobrepostas em camadas, como uma baclava sem doce.
O tempo é quem dita a solidão daquela lua, que busca o lugar do sol da meia-noite para ter um companheiro de desdita. Porque também o sol, neste meu mundo, está só.
Chora no Inverno entre a chuva, enraivece-se no Verão através do luar.
Presa pelo sei ciclo de aparece e desaparece na vida de quem ama ou pensa amar. Não pode contrariar esse ciclo, já tentou. E não pode morrer que as marés dependem dela...
sábado, 9 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Passeio pela areia da ampulheta que é qualquer vida...
divago nos movimentos que me dslocam pela praia. O mar ecoa nos meus sentidos, ensurdecendo-me o pensamento e gelando-me o tacto.
Quando ganhar e se ganhar, consciência destes gestos salvo-me. Volto a mim. Mas continuo a divagar.
Sou a onda, recrio-me com a rotação da terra sobre o seu eixo que é tão imaginário como o meu, mistificado como a minha espinha, é muito mais o meu espírito, encantado pela maldade risonha da minha alma.
E divago, girando e rodopiando no meu corpo, que ninguém vê mover-se. Estou no turbilhão alimentado pela praia daquele mar calmo que se agita apenas na minha mente. Essa que não controlo, que me consome e que é a minha alma. Velha, sábia, conhecedora do que desconheço. Uma ditadora de tristezas e desconfianças, que existe com o cenário só de som, o barulho do seu grande tear. É a tecelã do meu comportamento e do meu pensamento, mas é o meu espírito que me dá a sentir o mar desta praia, na sua luta de não se deixar levar para a trama que ela tece.
Levar para outra loca, para outro mundo, para longe do meu corpo, como esta alma errante tantas vezes me obriga, não querendo que o meu espírito viva, escute ou sinta a realidade, preferindo tentar recordar-me do que não fui eu que vivi, mas antes esta alma que tenho.
Prefere instalar-me a dúvida, esse motor que me faz divagar pela praia. Quem é que me vem salvar? Venha comigo, raio que atravessa o meu céu, ora azul ora roxo, onde nenhum sol se põe nem lua brilha ou nuvem paira. Relâmpago e corisco que rasgue este céu onde só vento, invísivel, existe. Sopra e passa e o céu continua parado. Sopra como chicote silencioso que me fustiga, porque eu sou o meu céu. Imagem do trovão, irrompe este céu, corta-o com a tua luz que é mais do que a minha sobrevivência. Saca-me o sopro do vento para eu me salvar de toda esta luta.
Pode vir na forma simples que lhe aprouver. Mas venha! Simples. Que rebuscada sou eu...
Quando ganhar e se ganhar, consciência destes gestos salvo-me. Volto a mim. Mas continuo a divagar.
Sou a onda, recrio-me com a rotação da terra sobre o seu eixo que é tão imaginário como o meu, mistificado como a minha espinha, é muito mais o meu espírito, encantado pela maldade risonha da minha alma.
E divago, girando e rodopiando no meu corpo, que ninguém vê mover-se. Estou no turbilhão alimentado pela praia daquele mar calmo que se agita apenas na minha mente. Essa que não controlo, que me consome e que é a minha alma. Velha, sábia, conhecedora do que desconheço. Uma ditadora de tristezas e desconfianças, que existe com o cenário só de som, o barulho do seu grande tear. É a tecelã do meu comportamento e do meu pensamento, mas é o meu espírito que me dá a sentir o mar desta praia, na sua luta de não se deixar levar para a trama que ela tece.
Levar para outra loca, para outro mundo, para longe do meu corpo, como esta alma errante tantas vezes me obriga, não querendo que o meu espírito viva, escute ou sinta a realidade, preferindo tentar recordar-me do que não fui eu que vivi, mas antes esta alma que tenho.
Prefere instalar-me a dúvida, esse motor que me faz divagar pela praia. Quem é que me vem salvar? Venha comigo, raio que atravessa o meu céu, ora azul ora roxo, onde nenhum sol se põe nem lua brilha ou nuvem paira. Relâmpago e corisco que rasgue este céu onde só vento, invísivel, existe. Sopra e passa e o céu continua parado. Sopra como chicote silencioso que me fustiga, porque eu sou o meu céu. Imagem do trovão, irrompe este céu, corta-o com a tua luz que é mais do que a minha sobrevivência. Saca-me o sopro do vento para eu me salvar de toda esta luta.
Pode vir na forma simples que lhe aprouver. Mas venha! Simples. Que rebuscada sou eu...
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